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Que preocupações devo ter ao volante se o meu filho tiver hemofilia?

Que preocupações devo ter ao volante se o meu filho tiver hemofilia?

14/04/2016

A hemofilia é um transtorno genético que afeta a coagulação do sangue, impedindo que o faça com normalidade. Esta doença só é desenvolvida por rapazes, e apesar de as mulheres não a padecerem, podem transmiti-la aos filhos. De facto, um homem hemofílico transmitirá o gene defeituoso às filhas, mas não aos filhos: as raparigas serão portadoras e os filhos não herdarão esse transtorno. 

Em que é que isto se traduz no contexto de um acidente rodoviário? Como podemos imaginar, uma colisão, por leve que pareça, pode afetar gravemente o nosso filho hemofílico. Desde simples nódoas negras, sangramento no nariz ou fraturas e contusões, tudo põe em risco o nosso pequeno pelas características da sua doença. É conveniente, em primeiro lugar, conhecer com um pouco melhor a hemofilia, e posteriormente tomar as precauções básicas no momento de viajar de carro.


A hemofilia e o fator de coagulação

Este transtorno é provocado pelo défice do fator de coagulação do sangue, que implica que qualquer hemorragia, por pequena que seja, não parará sozinha e o paciente correrá um risco crescente com o tempo que se demorar a agir. Não só devemos pensar nas hemorragias externas, as que podemos ver, como as feridas abertas ou as hemorragias nasais, como nas hemorragias internas (o que conhecemos como uma nódoa negra, por exemplo, fruto de uma contusão), que são de certo modo as mais perigosas porque podemos não detetar com facilidade.

É pouco frequente que uma criança pequena ou recém-nascida sangre, pelo que podemos suspeitar da hemofilia no caso de aparecerem nódoas negras em sítios pouco frequentes como estômago, peito ou costas. Logicamente, se ocorrer sangramento nasal teremos uma prova bastante significativa porque esse sangramento não parará. Será o pediatra a diagnosticar a hemofilia após uma série de provas específicas, para depois determinar o tipo de hemofilia que padece, e o fator deficitário que necessita.

Existem dois tipos de hemofilia: a hemofilia A, causada por um défice do fator VIII da coagulação (representa cerca de 80% das hemofilias); e a hemofilia B, em que o défice acontece no fator IX.


O que levar no carro e como planear o percurso

Existe uma série de questões importantes a ter em conta quando preparamos uma viagem de carro com uma criança com hemofilia a bordo (e em geral com qualquer pessoa que sofra da doença). A Associação de Hemofilia da Comunidade de Madrid (Ashemadrid), conta-nos a sua experiência neste sentido e as recomendações fundamentais a ter em conta.

Em primeiro lugar é preciso incluir na bagagem o material necessário para preparar uma injeção do fator indicado para cada criança em particular. É muito importante transportar o fator num recipiente adequado e seguindo as suas instruções de conservação: alguns devem manter-se no frio, outros não podem ser refrigerados caso tenham estado… temos de ser cuidadosos e escrupulosos nesse sentido e conhecer o produto que levamos.

Além de transportar o fator em condições, é necessário dispor de uma pequena caixa com gazes estéreis, álcool iodado, água oxigenada, ligaduras e pensos rápidos. É recomendável levar o necessário para preparar a injeção em caso de necessidade, caso ocorra um embate ou sofra uma queda.

Quando preparamos a viagem, é aconselhável identificar os hospitais próximos dos diferentes pontos da rota, verificando as distâncias e o tempo que demoraríamos a chegar no caso de surgir uma emergência e fosse necessário ir ao hospital com o pequeno. 

Como medida de precaução adicional, deveríamos levar uma identificação que inclua a sua doença e o fator correspondente, juntamente com as quantidades indicadas. Podemos fazer um cartaz para a cadeirinha, caso ocorra um acidente. No caso de, à chegada dos serviços de urgência, o condutor e ocupantes não poderem comunicar esses dados aos profissionais de saúde, o cartaz seria fundamental para salvar a vida do pequeno.

Como nota final, é muito importante mencionar que perante uma emergência ocorrido, por exemplo, num acidente rodoviário, com o conseguinte traumatismo, a prioridade é administrar o fator (antes inclusivamente de levar o pequeno para o hospital), e depois serão realizadas outras atuações.

Queremos agradecer a ajuda prestada pelo Professor Doutor Luis Madero López, chefe de Serviço de Onco-Hematologia do Hospital Universitário Quirónsalud Madrid e do Hospital Quirónsalud San José no momento da elaboração deste artigo.

 


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