Quantas vidas poderiam ser salvas anualmente em Espanha se os condutores não excedessem os limites de velocidade?
10/03/2016
Exceder os limites de velocidade e não usar cinto de segurança costumam ser as infrações mais habituais. O que acontece se tivermos um acidente, não usarmos cinto nem a nossa criança estiver a usar o sistema de retenção infantil correspondente e, além disso, formos com excesso de velocidade? Falamos de um cenário fatídico. O relatório “A contribuição da velocidade para a prevenção de acidentes em Espanha” elaborado pela Fundação MAPFRE, revela que aproximadamente 400 pessoas salvariam a vida anualmente se todos os condutores não excedessem os limites de velocidade.
Em caso de acidente, a velocidade é uma agravante. Quanto maior a velocidade, piores são as consequências. No entanto, não é preciso chegar ao sinistro para que o excesso de velocidade também possa ser prejudicial, especialmente se levarmos crianças: movimentos bruscos, travagens, acelerações… e tudo isso tendo em conta a fragilidade do bebé ou da criança. Lembramos assim "A velocidade aos olhos de uma criança. Nunca a teria imaginado assim".
O Centro de Investigação e Segurança Rodoviária da MAPFRE reconstruiu 500 acidentes e dedicou mais de 30 horas de trabalho a cada um dos sinistros, isto é, 15.000 horas no total para a elaboração deste relatório.
A VELOCIDADE EXCESSIVA EM NÚMEROS
- O excesso de velocidade causa mais de metade de todas as colisões entre veículos com mortos e 44% de todas as colisões com feridos graves.
- O excesso de velocidade também está presente em 36% de todos os atropelamentos com peões falecidos e em 32% de atropelamentos nos quais os peões são feridos graves.
- 4 em cada 10 condutores envolvidos em acidentes com vítimas ultrapassam os limites máximos permitidos (43 por cento em caso de colisões entre veículos e 34 por cento em caso de atropelamentos). A maior parte destes acidentes ocorrem principalmente de dia e em estradas interurbanas.
- 379 vidas poderiam ser salvas em Espanha se não houvesse excesso de velocidade, isto é, 22% de todas as colisões entre veículos e 25% de todos os atropelamentos. Além disso, evitar-se-ia um total de 1.852 feridos graves anualmente (20% do total de feridos graves ou hospitalizados).
Este estudo foi apresentado nas Jornadas "O Assistente de Velocidade Inteligente (de série em todos os veículos)", organizado pelo Conselho Europeu de Segurança no Transporte (ETSC, na sua sigla em inglês), a Direção Geral de Viação espanhola (DGT) e a Fundação MAPFRE. Prevê-se que este sistema, "Intelligent Speed Assistance (ISA)", em inglês, reduza o número de colisões em 30% e o de mortes em 20%.
O QUE É O ASSISTENTE DE VELOCIDADE INTELIGENTE?
10/03/2016
Em Espanha, quando não há engarrafamentos, entre 22% e 48% dos veículos supera os limites de velocidade, tal como indica Jesús Monclús, diretor da Área de Prevenção e Segurança Rodoviária da Fundação MAPFRE, que acrescenta que "uma redução de 1% na velocidade média do trânsito implica uma diminuição de 2% dos acidentes com lesões, de 3% dos acidentes com lesões graves e de 4% dos acidentes mortais".
O sistema utiliza uma câmara de vídeo que reconhece os sinais de velocidade e os dados de limites de velocidade ligados ao GPS no intuito de auxiliar os condutores sobre os limites de velocidade existentes em cada momento e em cada ponto da estrada. O sistema impede inicialmente de modo automático que o condutor exceda esses limites, embora possa anulá-lo temporalmente ou desligá-lo.
Com este sistema não será possível argumentar desconhecimento da velocidade máxima, não ter visto o sinal ou estar distraído, já que veremos em todo momento a velocidade indicada em cada troço.
Espera-se que este sistema se encontre dentro do novo protocolo de normas de segurança obrigatórias para veículos no mercado europeu que a Comissão Europeia está a preparar.

