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O principal meio de transporte onde crianças são vítimas fatais na América Latina são as motocicletas

O principal meio de transporte onde crianças são vítimas fatais na América Latina são as motocicletas

25/09/2017

O problema das motos na América Latina é grave: nos últimos anos aumentaram o número de acidentes em jovens com idade menor que 17 anos que utilizam este meio de transporte. Os jovens viajam a maior parte das vezes sem atender sequer aos mais básicos princípios de segurança, como por exemplo o uso do capacete.

A taxa de mortalidade pelo uso de moto como meio de transporte na América Latina é de 1,6 a cada 100.000 habitantes (1998-2010). O crescimento da mortalidade é muito notável, passando de 0,8/100mil em 1998 para 3,5/100mil em 2010, sendo Colômbia (3,6 a cada 100mil), Brasil (2,9 a cada 100mil) e Paraguai (2,5 a cada 100mil) os países com maior taxa de mortalidade em acidentes de moto em toda América Latina.

Por outro lado, o número de motos nas ruas nos países latinos não deixam de crescer e as razões principais são seu baixo preço e custo de manutenção, e a rapidez como meio de transporte se comparada com outras alternativas. Os dados são alarmantes: na América Latina e no Caribe os acidentes de trânsito são a primeira causa de morte em crianças entre 5 e 14 anos e em países como Uruguai, Brasil, Colômbia e República Dominicana os acidentes de moto somam quase a metade das mortes no trânsito.

Se um adulto já fica muito vulnerável em uma moto, ainda que use as proteções mínimas exigíveis como o capacete, uma criança é ainda mais frágil devido a suas características físicas e tanto o crânio como o cérebro não atingiram o desenvolvimento completo ainda. A legislação em nosso país é bem clara, tal e como comentamos no artigo “Posso levar a meu filho na moto?”, mas na América Latina a coisa não está tão clara.

Curiosamente, a percepção geral a respeito da segurança das crianças na moto na região assinalada é alta nos seis países objeto de um estudo do Observatório Ibero-americano de Segurança Rodoviária (Argentina, Brasil, Colômbia, Paraguai, República Dominicana e Uruguai), com uma percentagem de pais e mães que vêem a moto como transporte seguro para seus filhos, que chega a 80%.

Como dissemos, as principais razões para o aumento do uso da moto (no Brasil o número de motocicletas aumentou em 346% em 11 anos, e a percentagem de jovens menores que 17 anos mortos vitimas de acidentes de trânsito passou de 1% em 1996 para 26% em 2014) é pelo fato de serem económicas e ágeis no trânsito, além de outros fatores menos importantes como a disponibilidade de um serviço de transporte público deficiente.

Apesar deste aumento de motocicletas, a percepção sobre a segurança é equivocada na maior parte dos países e cidades do estudo: as razões para não utilizarem dispositivos de segurança como capacete, colete e faixas refletoras, luzes…) são pela falta de conforto ou desconhecimento, a falta de leis claras e outras razões como o calor que produzem, por exemplo. No caso das crianças pequenas, não há a existência de capacetes homologados para eles (e não há leis que o regulamentem) e a impossibilidade de alcançarem os apoios para os pés das motos por sua falta de altura multiplica os riscos.

Outras razões para o aumento de acidentes de moto é a falta de respeito com a legislação, no caso de existir, e as crianças viajam sem proteção e em lugares perigosos (por exemplo, na frente do motorista). O trabalho por fazer no continente americano é enorme, para educar à população de forma que não existam mais argumentos como “não vai acontecer nada”, “o capacete dá calor” ou “as medidas de segurança são caras”.


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