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Em que regiões do mundo morrem mais crianças na estrada?

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19/01/2016

A organização Global Burden of Disease (GBD) estima que 220.000 crianças e adolescentes morrem anualmente nas estradas de todo o mundo. Nos países desenvolvidos o nível de motorização é maior e há investimento em segurança rodoviária, por exemplo, no uso do cinto de segurança, no capacete nas motocicletas ou em controlar o consumo de álcool ao volante. No entanto, nos países com menos recursos, embora o número de veículos seja menor, também são menos os recursos destinados à segurança rodoviária.

Assim o comprovam os dados de mortes na estrada: a África subsaariana é a região do mundo com maior taxa de mortos por acidentes rodoviário de menores de 19 anos e, por sua vez, com menor número de veículos, segundo um estudo de Fia Foundation e Unicef. Seguem-se o Sul da Ásia oriental, o Sudeste asiático, a América Latina e as Caraíbas, o Cáucaso e a Ásia Central, Norte de África, Ásia Oriental, Ásia Ocidental, regiões desenvolvidas e Oceânia.

A proporção de mortos nos países de rendimentos médios e baixos é, muitas vezes, o dobro ou o triplo que nos países da OCDE, assinala o relatório, que adverte de que é necessário atuar de forma imediata dado que as estimativas apontam para que, em 2030, a população mundial terá aumentado 15%, embora este aumento, em países em desenvolvimento, como a Nigéria, possa chegar a 50 %. "As alterações demográficas, combinadas com uma motorização rápida e baixos níveis de segurança, devem estimular a reação urgente", avisa o relatório.

Atuar desde já não é apenas importante para evitar lesões, mortes e a dor das famílias afetadas. Também é vital pelo peso económico que implica para os sistemas de saúde e para as próprias famílias dado que os recursos nestas economias familiares costumam depender de uma pessoa que, em caso de falecer, dificulta a subsistência de toda a família. A consequência imediata é que esse dinheiro não se destina, por exemplo, à educação. O custo das lesões em acidentes rodoviários oscila entre 1 e 5 % do PIB, segundo o país. Nos 80 países com mais pobres, o custo de lesões mortais e graves alcança os 220.000 milhões de dólares anuais, estima o relatório.

Fica claro que os acidentes rodoviários e a pobreza estão fortemente associados. É mais um motivo para lutar contra ela. Só assim um grupo tão vulnerável como o das crianças crescerá num ambiente seguro face à sua primeira causa de morte.

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