Dicas para viajar de carro com crianças com autismo
29/03/2016
Fazer uma viagem é, em muitas ocasiões, um momento positivo para as famílias, mesmo que os preparativos e o deslocamento possam gerar estresse.
As crianças costumam ter uma paciência mais limitada que os adultos, e é frequente que quando se entediem em um trajeto fiquem irritadas e seja difícil aguentá-las.
Quando as crianças possuem um Transtorno Generalizado do Desenvolvimento (TGD) é necessário levar em conta certas peculiaridades que propiciam um maior nível de estresse e, assim, poder se antecipar a problemas que podem surgir, para que a aventura seja a mais agradável possível.
Dentro dos TGD's há muitos graus e cada criança é diferente. No entanto, a seguir damos algumas dicas gerais para eles, buscando que o trajeto de carro seja um momento de prazer e felicidade.
O mais importante é garantir a segurança, com o uso de um sistema de retenção adequado e, se possível, que não possa ser manipulado e aberto com facilidade.
Nas primeiras viagens, é bom que um adulto viaje com eles na parte de trás, de modo que se aparece alguma crise emocional ele possa ajudar o pequeno nesse momento preciso, sem ter que parar o carro, o que sempre propicia uma situação perigosa.
Um aspecto especialmente relevante é antecipar a viagem. Eles não gostam muito das surpresas; portanto, devem saber com dias de antecipação que vamos sair, e o plano da viagem ajuda que estejam mais preparados para enfrentá-la. Em função da criança e de sua capacidade cognitiva utilizaremos um sistema ou outro para explicar (por exemplo, por meio do uso de pictogramas ou falando vários dias de forma consecutiva).
É fundamental NÃO TER PRESSA DE CHEGAR. É possível que tenhamos que parar durante o caminho mais vezes, ou que alguma parada se estenda, mas o importante é chegar ao destino e que a viagem seja o menos estressante possível para todos.
Quando já estivermos no carro, podemos repetir o plano da viagem de forma verbal ou, nos casos em que seja necessário, utilizando uma história com pictogramas, que devem estar em um lugar visível para a criança.
Ainda que hoje em dia seja habitual que as crianças viajem de carro com frequência, se ele tiver pouca experiência com carros, é bom fazer trajetos curtos, de forma gradual, e com suficiente antecipação à viagem. Desta forma, evitamos que a situação nova aumente a ansiedade.
Outro fator a levar em conta é que as crianças com autismo costumam ter maiores dificuldades na autorregulação de seus estados emocionais. Por este motivo, é bom utilizar algum estímulo externo que possa acalmá-la quando a situação não for agradável (um chaveiro, uma bola anti-estresse, um bicho de pelúcia...), que pode ser utilizado em caso de necessidade.
Com crianças maiores podemos incluir na bagagem algumas atividades que os distraiam (desenhos ou jogos) e que possam ser feitos durante o caminho.
Por último, para propiciar um ambiente agradável, tanto no carro como em outros momentos do dia, é bom que a criança associe certo tipo de música com o relaxamento, pois isso também ajuda na autorregulação de seus estados emocionais. Não é necessário que seja um tipo específico de música, e sim aquela que ele goste e que produza um tom afetivo positivo.
Seguindo estas sugestões faremos com que a viagem seja mais confortável e gratificante para todos, e que a predisposição a repetir a experiência seja positiva.
Paloma Méndez de Miguel
Psicóloga do Hospital Quirónsalud San José

