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O futuro da condução autónoma e da segurança

O futuro da condução autónoma e da segurança

17/02/2016

O que até há pouco tempo parecia uma utopia está a tornar-se realidade. Em alguns anos, as estradas começarão a acolher veículos sem ninguém ao volante para deslocar adultos e crianças de um lugar para o outro. Google, uma das empresas que leva a dianteira no âmbito da condução autónoma com o seu Self-Driving Car Project, trabalha há algum tempo para que esta tecnologia supere o ser humano em relação à segurança rodoviária. No entanto, o próprio motor de busca admite que ainda é necessário melhorar diversos aspetos. Um dos principais é aperfeiçoar a capacidade de reação deste tipo de máquinas perante o comportamento humano e as situações imprevistas.

O veículo autónomo parece ser irreversível por dois motivos fundamentais. O seu funcionamento baseia-se no cumprimento das leis: não há interpretação nem violação das normas salvo falha. E elimina o fator humano, os despistes, que estão presentes em mais de 80% dos acidentes de trânsito, segundo dados do Comissariado Europeu do Automóvel (CEA).

No entanto, nesta fase ainda de investigação, um dos maiores desafios é a inclusão segura destes carros num mundo em que os humanos não se comportam segundo as regras. Em agosto de 2015, quando um dos veículos autónomos da Google se aproximava de uma passadeira, travou para permitir que um peão atravessasse. Ao peão não aconteceu nada, mas ao carro sim, dado que foi batido na parte traseira por outro veículo. Numa ocasião anterior, outro robot da Google ficou paralisado num cruzamento com quatro stops porque os seus sensores esperavam que os condutores humanos parassem completamente e o deixassem passar.

Os carros autónomos do motor de busca teriam tido pelo menos 13 acidentes entre setembro de 2014 e novembro de 2015 na Califórnia (Estados Unidos) se não fosse a intervenção das pessoas que viajavam por segurança no seu interior, segundo tornou público a empresa nos princípios de 2016. Além disso, em 272 ocasiões o software do carro detetou uma anomalia no sistema que podia ter tido repercussões na segurança, o que fez com que o condutor de teste assumisse imediatamente o controlo do veículo.

"Estamos a testar e a avaliar constantemente o nosso software", assegurava num comunicado Chris Urmson, diretor do projeto de carros autónomos de Google, que percorreram já mais de dois milhões de quilómetros. Urmson assinalou que ainda é cedo para afirmar que a condução autónoma é mais segura do que a humana, mas estão satisfeitos com o seu "progresso sustentável".

Os riscos de uma tecnologia nova

A Google sabe que esta tecnologia é o futuro. Segundo afirmava Urmson, os veículos autónomos têm o potencial de reduzir o número de acidentes porque eliminam a falta de atenção dos condutores e os erros que provocam milhares de colisões, feridos e mortos.

Assim acha também o Governo dos Estados Unidos, que destinará 4.000 milhões de dólares (mais de 3.500 milhões de euros) para o desenvolvimento desta tecnologia nos próximos 10 anos, tal como anunciou em princípios de 2016 o secretário de Transporte, Anthony Foxx, durante a feira do automóvel de Detroit, berço da indústria automobilística norte-americana. Para além do apoio financeiro, a Administração Obama planeia elaborar um quadro legal para regular a circulação deste tipo de veículos. "Estamos num novo mundo e sabemo-lo. Perguntamo-nos o que aconteceria se fosse possível eliminar o erro humano. É uma possibilidade que vale a pena investigar", disse Foxx à imprensa em Detroit.

Não obstante, ainda falta tempo para que o uso destes carros seja generalizado enquanto os especialistas tratam de minimizar os potenciais riscos. Neste sentido, o Departamento de Veículos de Motor (DMV) na Califórnia propôs em finais de 2015 uma legislação restritiva para estes veículos. Quer que qualquer carro autónomo que circule pelas vias públicas do Estado conte com volante e pedais, assim como com a presença de um ser humano no assento do condutor. Para o DMV, os fabricantes necessitam ter mais experiência antes de que estes cérebros sobre rodas circulem pelas estradas.


Objetivo Cero

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