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Os acidentes viários em países que não têm regras claras sobre SRI na América Latina e no Caribe

Os acidentes viários em países que não têm regras claras sobre SRI na América Latina e no Caribe

24/08/2016

Entre os diferentes grupos humanos envolvidos em acidentes viários, as crianças entre 5 e 14 anos são os mais vulneráveis, os mais sensíveis a sofrer danos quando ocorre uma colisão. A utilização de sistemas de retenção infantil (SRI) reduz a taxa de acidentes neste grupo em uma alta porcentagem, por isso que na Europa dispõe-se de uma legislação que regula precisamente o uso de SRI adequados às condições físicas das crianças.

Em outras áreas e países, as regras não são tão claras, - carece-se de ela -, e até mesmo em alguns desses países não é obrigatório o uso de sistemas de retenção, tendo a sua utilização pouco divulgada na forma de campanhas de conscientização e sensibilização.

A taxa de mortalidade infantil nesses países é o dobro da média europeia

Para mostrar alguns dados, as taxas de mortalidade em acidentes na infância na América Latina e no Caribe são mais do que o dobro em comparação com as taxas europeias e, em geral, nos países desenvolvidos: enquanto na Europa, na Ásia Central, no Canadá e nos Estados Unidos se fala de um índice de acidentes de 4,7% neste grupo etário, na América Latina e Caribe falamos de 7,6% (o Uruguai com o menor, com 3,7%; e a Bolívia com o maior índice, com 21,4%).

Como discutido anteriormente neste espaço, o uso adequado de sistemas de retenção para crianças reduz entre 90% e 95% das lesões quando se viaja no sentido contrário ao da marcha, em comparação a 60% quando se viaja no sentido da marcha. Além disso, viajar a contramarcha protege as crianças de três a cinco vezes mais do que no sentido natural da marcha, e o uso prolongado de assentos e bancos elevatórios protege mais às crianças entre 4 e 8 anos que o uso prematuro do cinto de segurança sem outros apoios.

Em um estudo da Fundación MAPFRE e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apresenta-se o estado dos acidentes viários em 17 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Porto Rico), comparando-os com os valores de referência de países como Espanha, Portugal e Suécia. O estudo é intitulado "Segurança Viária infantil. Uso dos sistemas de retenção: uma análise da situação na América Latina e Caribe”.

Os resultados deste estudo são esclarecedores: a segurança viária infantil deve ser incorporada com urgência nas agendas dos governos e devem-se estabelecer parcerias para alcançar o progresso em um campo tão pouco legislado como este o é hoje. O foco deve estar em três locais: estabelecer uma normativa completa e clara sobre o uso de sistemas de retenção infantis; melhorar a segurança dos veículos; e realizar campanhas de sensibilização e conscientização junto à sociedade.

A realidade destes países é chocante: até 2013 todos os países apresentados neste estudo tinham brechas regulatórias e exceções ao uso de SRI em carros, e apenas três destes países tinham uma legislação completa (mas que igualmente admitia exceções). Há uma clara falta de normas técnicas para os sistemas de retenção, e apenas o Brasil, Chile e Porto Rico dispõem delas, e por outro lado, as campanhas de sensibilização são igualmente raras: só o Brasil, Porto Rico, México e Uruguai têm campanhas nacionais, permanentes e específicas sobre estas questões.

Portanto, somente através de uma legislação clara, uma normativa fechada e completa e a educação da população através de mais e melhores campanhas permanentes e a nível nacional, bem como o reforço dos requisitos de segurança dos carros mais vendidos nas diferentes regiões, pode-se reverter o processo e reduzir significativamente os acidentes viários com crianças na América Latina e no Caribe.

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