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Erros frequentes

Por vezes, agimos de determinada maneira sem nos apercebermos que é prejudicial para a segurança das crianças. Aqui encontrará alguns conselhos úteis sobre como agir corretamente em cada viagem. 

Vamos começar?

1. Erros relacionados com a educação rodoviária de crianças e adultos

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Por vezes, os adultos viajam com as crianças ao colo, segurando-as com os braços. Este comportamento, que é mais frequente do que o desejável, é muito perigoso. Se o adulto tiver o cinto de segurança colocado, em caso de uma travagem brusca ou um acidente, a criança será projetada contra o tablier ou o para-brisas. Se não tiver o cinto de segurança, esmagará a criança com uma força superior a 1.000 kg.

As crianças devem viajar SEMPRE numa cadeira para o automóvel. Sem nenhuma exceção! Não devemos aceitar desculpas como “é mesmo aqui ao lado” ou “vamos devagar”… e muito menos ceder quando a criança protesta. Devemos educá-la para que perceba que cadeira não é opcional. Se aprender desde pequena, aceitará está situação com a maior naturalidade. Para além disso, esta educação terá efeitos na sua segurança no futuro, uma vez que muito provavelmente será um adulto responsável e utilizará sempre o cinto de segurança.
A maior parte dos acidentes rodoviários acontecem perto de casa. Além disso, uma colisão a apenas 50 km/h pode ser mortal se os passageiros não usarem os cintos de segurança no caso dos adultos, ou a cadeira no caso das crianças.

As crianças aprendem por imitação e não podemos ensinar-lhes a usar sempre a cadeira no carro se nós próprios não usamos o cinto de segurança – porque estamos a transmitir a mensagem de que “usar a cadeira ou colocar o cinto não assim tão é importante”. 

Para além disso, um adulto sem cinto pode esmagar uma criança numa colisão: o peso de um adulto de 75 kg poderá, em caso de embate, atingir mais de 1.000 quilos.

As crianças, sobretudo as mais pequenas, estão atentas a todos os gestos e hábitos dos adultos, e tal como com a utilização do cinto, é essencial dar um bom exemplo no respeito pelos semáforos e sinais, bem como, através do nosso comportamento ao volante, de uma maneira geral. Comporte-se da forma como gostaria que os seus filhos se comportassem no futuro pensando sempre na sua segurança.

2. Erros na escolha da cadeira

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Alguns pais mudam a criança para uma cadeira maior cedo demais, com o risco acrescido que esta situação pode representar para as crianças em caso de acidente. Normalmente a sequência é:

Alcofa para o carro, em casos expecionais 

  • Alcofa para o carro, em casos expecionais

  • Cadeira para bebé homologada até aos 13 kg ou 75 cm , até aproximadamente aos 15 meses

  • Cadeira para criança homologada até aos 18 kg ou 105 cm , até aproximadamente aos 3 ou 4 anos

  • Cadeira do Grupo II, dos 15 aos 25 kg, aproximadamente dos 3 aos 7 anos

  • Cadeira do Grupo III, dos 22 aos 36 kg, aproximadamente dos 6 aos 12 anos

Cada grupo de sistemas de retenção para crianças foi especialmente concebido para proteger as crianças à medida que vão crescendo.
Especialmente grave é o caso dos pais que retiram a criança demasiado cedo da cadeira para bebé, na qual está voltado para trás - a posição mais segura - para começar a utilizar uma cadeira para criança virada para a frente. Em caso de colisão frontal, viajar de frente pode provocar lesões gravíssimas nas vértebras cervicais ou no pescoço frágil do bebé. Por este motivo, é aconselhável que as crianças sejam transportadas voltadas para trás o máximo de tempo possível (mas sempre que a cadeira o permita e enquanto a criança couber na mesma). As crianças com menos de 18 meses  de peso devem viajar SEMPRE e sem exceção voltadas para trás.
A imagem seguinte mostra como pode ser perigoso, por exemplo, deixar de utilizar demasiado cedo um banco elevatório para passar a utilizar unicamente o cinto de segurança: o cinto de segurança fica mal colocado, sobre os tecidos “moles” da criança, como o estômago, ou junto ao pescoço. 

É igualmente perigoso deixar passar demasiado tempo antes de substituir a cadeira por outra maior. Quando isto acontece, a cadeira já “está pequena” demais para a criança e pode partir-se durante um acidente ou ser incapaz de protegê-la adequadamente.

É necessário trocar a cadeira por outra maior quando ocorre uma das seguintes circunstâncias: 

1. O peso da criança excede o peso máximo para o qual a cadeira foi homologada.

2. A altura da criança ultrapassa a estatura para a qual a cadeira foi homologada (R129).

3. A cabeça da criança ultrapassa o limite superior da cadeira.

4. A altura máxima do arnês é demasiado baixa, considerando a altura do ombro da criança

5. A cadeira é demasiado estreita lateralmente

Lembre-se: O arnês ou a própria cadeira podem não suportar a força do embate, podendo inclusivamente partir-se e deixar de reter a criança.

Apenas se deve utilizar uma cadeira usada, ou em segunda mão, quando as seguintes condições estão reunidas: 

  • A cadeira não sofreu nenhum acidente que possa ter provocado danos, nomeadamente, rachas ou peças partidas. E, mesmo em situações que os danos não são visíveis a “olho nu”, podem existir fissuras impercetíveis, que podem fazer com que a cadeira se parta num outro acidente. 
  • Não apresenta quaisquer sinais de deterioração, como: arnês desgastado, fivelas ou linguetas oxidadas… Uma fivela ou lingueta deteriorada pode fazer com que o fecho se abra durante um acidente. 
  • Possui todas as peças. Utilizar uma cadeira de criança, que não possui alguma das suas peças, pode ser muito perigoso. Por vezes, adquirir as peças em falta acaba por ser tão caro como comprar uma cadeira nova. 
  • A cadeira dispõe do manual de instruções original, cuja consulta é imprescindível para uma correta instalação. 
  • É recomendável que a cadeira de criança não tenha mais de seis anos, visto que os materiais com que foi fabricada podem "envelhecer" e tornar-se menos resistentes. 
  • Lembre-se: Informe-se sobre o “historial” da cadeira e inspecione-a bem.

Recuerda: Infórmate sobre el pasado del asiento e inspecciónalo bien.

3. Erros na instalação da cadeira ou do banco elevatório

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NUNCA se deve instalar uma cadeira de criança virada para trás num lugar onde exista um airbag frontal, exceto se este tiver sido previamente desativado. A abertura do airbag é tão violenta que arremessa a cadeira e o seu frágil ocupante a uma velocidade muito elevada. 

Lembre-se: Uma etiqueta como esta vai ajudá-lo a evitar este perigoso erro.

A cadeira de criança deve estar firmemente instalada no banco do veículo. Caso contrário, durante um acidente pode mover-se excessivamente dentro do habitáculo, o que aumenta consideravelmente o risco de ferimentos.

Segundo o projeto europeu de investigação CREST, em 40% dos acidentes em que existem crianças feridas, o cinto que prendia a cadeira ao veículo não estava corretamente esticado e apresentava folgas excessivas.

Para saber se uma cadeira está firmemente instalada puxe-a com força: a sua base não pode mover-se para além de alguns centímetros, lateralmente ou para a frente (menos de 3 centímetros ou dois dedos). 

Para evitar folgas é fundamental seguir escrupulosamente as instruções de instalação da cadeira e esticar tanto quanto possível o cinto de segurança que a prende ao banco do veículo. Alguns modelos de cadeiras dispõem de sistemas para ajudar a esticar o cinto, assim como, travões.

Lembre-se: O sistema ISOFIX elimina as folgas quando se instala a cadeira no veículo. Por isso, recomenda-se este sistema, que, por esta razão, aumenta a proteção das crianças.

Este erro pode fazer com que a cadeira se solte ou parta durante um acidente, o que representa um grande perigo para a criança. Para ajudar a reduzir este erro, as cadeiras dispõem de diagramas exemplificativos e marcas de cores diferentes que indicam os pontos onde deve passar o cinto (azuis na instalação de costas e vermelhas na instalação de frente).

Lembre-se: Cumpra escrupulosamente as instruções do fabricante da cadeira.

Recomenda-se que as costas estejam sensivelmente a meio entre a posição vertical e horizontal. Se as costas ficarem muito na vertical, sobretudo no caso das crianças mais pequenas, a cabeça da criança pode tombar sobre o peito do bebé, algo que pode dificultar a sua respiração.

Por outro lado, se as costas da cadeira estiverem muito inclinadas ou deitadas, a cadeira não protegerá devidamente a criança em caso de choque frontal, já que a tendência do corpo do bebé será deslizar para a parte superior da cadeira.

Há cadeiras em que é possível regular o grau de inclinação das costas entre 30° e 45°. Nos recém-nascidos esta deve ser de 45º, podendo ser ajustada até aos 30º à medida que a criança cresce. Consulte o manual de instruções da cadeira para ver qual será a inclinação correta em cada caso

Lembre-se: Cumpra escrupulosamente as instruções do fabricante da cadeira.

Os bancos elevatórios ajudam a criança a ficar mais alta, de modo a que possa utilizar o cinto de segurança de três pontos de fixação. Em nenhum caso, os bancos elevatórios foram concebidos para serem utilizados com cintos de segurança de dois pontos, razão pela qual, em caso de acidente frontal, o cinto de segurança não conseguirá segurar com eficácia a parte superior do corpo da criança.

Lembre-se: A criança ficará “dobrada” sobre o cinto de segurança e a probabilidade de lesões graves é bastante elevada.

Nota: Apesar disso, em Portugal, existem algumas situações excepcionais onde é considerado aceitável utilizar um banco elevatório com um cinto de dois pontos. Para mais informações consulte a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. 

4. Erros na colocação da criança na cadeira

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Tal como uns sapatos demasiado largos podem provocar feridas e assaduras nos pés, um arnês ou cinto de segurança com muita folga pode ser muito perigoso, por várias razões:

  • A folga aumenta o movimento da criança para a frente em caso de travagem brusca ou colisão. 

  • Aumenta a possibilidade da criança escorregar para baixo, o que pode fazer com que o arnês ou cinto, fique demasiado próximo do seu pescoço..

  • Um arnês demasiado folgado aumenta a possibilidade da criança se soltar sozinha.

Na prática apenas se deve conseguir passar um dedo  ou dois entre o arnês e o corpo da criança, no máximo. Outra forma de verificar a folga é “beliscar” a faixa do cinto: se o conseguirmos fazer é porque o cinto não está devidamente ajustado. Para reduzir a possibilidade de folgas e utilização incorreta, é importante que não seja a criança a apertar o arnês ou o cinto de segurança. Se isso acontecer, o adulto deve sempre confirmar que foi corretamente colocado e ajustado.

Lembre-se: Quanto mais justo estiver o arnês ou o cinto de segurança, maior será a proteção que confere.

Os casacos ou as peças de vestuário com grande volume criam grandes folgas entre o arnês e o corpo da criança, o que pode ser muito perigoso em caso de acidente. Os casacos devem ser despidos antes da criança se sentar na cadeira. Em dias frios, aqueça primeiro o veículo. Se ainda assim estiver frio, coloque o casaco, ou uma manta, a tapar a criança.

Lembre-se: O casaco engana! Em caso de colisão, utilizar roupa volumosa pode fazer com que a criança seja projetada.

Muitas cadeiras de criança permitem regular a altura do arnês nas costas da cadeira, à medida que a criança cresce. Por esta razão, as costas das cadeiras possuem um determinado número de ranhuras a diferentes alturas.

No caso dos bebés que viajam em cadeiras voltadas para trás, as faixas do arnês devem estar colocadas à altura dos ombros ou ligeiramente abaixo. Pelo contrário, nas crianças que viajam em cadeiras viradas para a frente, as faixas do arnês devem estar ao nível dos ombros ou ligeiramente acima. Em algumas cadeiras viradas para a frente, as faixas do arnês devem estar colocadas ao nível das ranhuras superiores especialmente reforçadas.

Lembre-se: Regule a altura do arnês de acordo com as instruções do fabricante.

Por vezes, poderá ser necessário desmontar o forro da cadeira de criança, por exemplo, para o lavar, sendo para isso necessário desmontar igualmente o arnês que prende o bebé ou a criança à cadeira. Se não prestar muita atenção no momento em que o retira, pode acontecer que, quando voltar a montar o arnês este fique torcido ou não passe pelo percurso adequado. Em caso de uma travagem brusca ou acidente, isso pode fazer com que a criança se desprenda da cadeira e seja projetada.

Lembre-se: Verifique atentamente como se desmonta o arnês e guarde sempre as instruções de montagem. 

Este erro é muito comum e extremamente perigoso. A faixa inferior do cinto de segurança foi concebida para reter a parte inferior do corpo da criança, pelas zonas mais robustas: a parte superior dos ossos da bacia. Não foi concebida para reter a criança pelas zonas mais moles e suscetíveis de lesões, como o abdómen ou a barriga. 

Por este motivo, é muito importante que a faixa inferior do cinto de segurança fique plana e o mais baixa e ajustada possível à parte superior dos ossos da bacia não podendo, nunca, ficar sobre o estômago.

Para reduzir a probabilidade de folgas e utilização incorreta, é importante que não seja a criança a apertar o arnês ou o cinto de segurança. Se isso acontecer, o adulto deve verificar que está corretamente colocado e ajustado.

Lembre-se: A faixa inferior do cinto de segurança colocada sobre o abdómen representa um risco grave - a criança pode escorregar por baixo do mesmo (efeito conhecido por submarining).

O banco elevatório foi concebido para ser utilizado com o cinto de segurança de três pontos de fixação. Colocar a faixa superior do cinto por trás das costas ou debaixo do braço é muito perigoso já que, em caso de travagem brusca ou acidente, o corpo da criança é projetado para a frente, dobra-se na zona de apoio (no corpo) da faixa inferior do cinto (caso a faixa superior esteja atrás das costas) ou na zona de apoio da faixa superior (caso ela esteja colocada por baixo do braço). As forças do embate, em caso de acidente, vão ser exercidas sobre o abdómen, em vez de nos ossos, o que poderá provocar lesões muito graves nos órgãos internos. 

Lembre-se: A criança não deve colocar o cinto de segurança sozinha. Se o fizer, por acharmos que é importante que aprenda como fazê-lo, é essencial que um adulto faça uma verificação final. 

Em determinadas ocasiões, incluindo quando se utiliza um banco elevatório homologado, é possível que a faixa superior do cinto de segurança passe demasiado próximo, ou roce até, o pescoço frágil da criança. Em caso de acidente, isto pode provocar lesões graves. 

Nesta situação, a solução é utilizar um banco elevatório com costas para ajudar a colocar corretamente a faixa superior do cinto de segurança e mais afastada do pescoço da criança. A faixa superior do cinto de segurança deve passar sobre a clavícula, a meio entre o pescoço e o ombro.

Para evitar folgas e a utilização incorreta do cinto, é importante que não seja a criança a apertar o cinto de segurança. Se isso acontecer, é essencial que um adulto verifique posteriormente que o cinto está devidamente colocado e ajustado.

Lembre-se: As costas do banco elevatório, quando dispõe de abas ou proteções laterais, melhoram a proteção em caso de colisão lateral. 

Segundo um estudo realizado em 2011, 43% das crianças tira os braços do arnês da cadeira com o carro em andamento Perante isto, alguns pais tendem a deixar de utilizar as faixas superiores do arnês. Este é um erro que pode provocar a morte da criança, de acordo com os ensaios realizados em laboratório, no âmbito do mesmo estudo.

Quando as faixas superiores do arnês da cadeira não são utilizadas, a parte superior do corpo da criança não fica segura, razão pela qual, em caso de acidente, desloca-se excessivamente para a frente podendo mesmo soltar-se e bater violentamente contra a estrutura interior do veículo ou outros ocupantes. Além disso, todas as forças do embate concentrar-se-ão nos pontos de contacto do corpo da criança com as faixas inferiores do arnês, podendo provocar lesões internas graves na bacia e no abdómen.

Lembre-se: Usar apenas uma parte do arnês não serve de nada. 

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